Amor Foda

Amor Foda

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Quem não fuxica a vida alheia, que atire o primeiro Iphone conectado no Instagram.

Deixemos de hipocrisias, demagogias, mensagens prontas do Google e citações de autores que você nunca leu. Sejamos reais e conscientes. Quem está nas redes sociais, é pra se molhar.

Aí que eu estava entediada, correndo o feed de publicações, quando me deparei com uma sequência de imagens de casais mega apaixonados. Viajando para lugares exóticos. Vestindo roupas complicadas. Maquiados, filtrados, photoshopados, posados. De certo, cheirosos. Sorrindo. Felizes. As legendas, então. E óbvio que, diferentona como sou, crítica mal amada, do contra, erva venenosa, chata, intelectualzinha, me coloquei a refletir: da onde vem todo esse amor? Porque aqui em casa não é assim…haha.

É claro que o início florido faz parte do jogo. Namoro, noivado, lua de mel, os primeiros dois anos de casados, devem mesmo ser fluídos, gostosos… É claro que não é porque não se postam, que não existam também os dias ruins. A grande questão é sobreviver depois do início florido e não comparar o seu longo relacionamento com o início florido alheio. Ou achar que os outros não tem problemas, porque olha, de todos os casais que conheço, que esbarro nas publicações, sei de questões, de brigas…

Então, que resolvi escrever sobre o que considero um Amor Foda. E antes que alguém questione quem sou eu para discorrer sobre o assunto, já antecipo que não acredito e nem me considero especialista em relacionamentos. Até porque não acredito em fórmulas prontas e aprendo no dia a dia, ao viver o meu. Mas, como alguém que muito lê, muito observa e muito reflete, posso garantir que é muito fácil amar quando tudo vai bem. Você nem precisa concordar comigo, mas aqui vai o que eu, Juliana, acredito ser um Amor Foda.

Amor Foda, penso ser o que surge depois que as máscaras caem, as luzes se acendem e as portas dos banheiros são abertas. É o que se mantém no dia a dia, na rotina, com as divergências, depois de noites sem dormir, na pressão, quando não há nem tempo para discutir, no café com leite.

Amor Foda é aquele que sobrevive ao acordar sem bom dia, à falta de grana, à conversas sobre dinheiro, à privações, consensos, à ter que ceder para não explodir. Amor Foda é aquele que resiste à dificuldade de ter filhos, à escolha por não ter filhos e à chegada dos filhos. Aliás, quem faz filho para segurar o outro é a pessoa mais burra do mundo, porque filho desune o casal, o Amor Foda é o que mantém a relação.

Amor Foda é aquele que resiste às insatisfações, à vontade de bater no outro quando acabam os argumentos, ao desejo de ir embora quando as dificuldades se tornam latentes. É o que resiste aos recomeços, à necessidade de perdoar fraquezas e o que resiste ao tempo, mas com qualidade. Porque tem muitos casais completando bodas preciosas, mas que nem se olham mais.

Amor Foda é o que consegue enxergar a beleza do outro sem maquiagem, roupas bonitas e nos momentos ruins. É o que apoia mesmo sem concordar e o que respeita mesmo sem entender.

Considero um Amor Foda, aquele que ainda é amor depois que passa o início florido. É aquele que compreende que as flores fazem parte, mas que não estarão colorindo todos os dias. E que tudo bem.

O resto ainda é amor inocente. Amor que ainda não foi colocado à prova. Amor que poderá ser Foda se aguentar os altos e baixos, a saúde e a doença e ainda se mostrar presente para além dos sorrisos postados nas redes sociais.

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2 comentários

  1. Paloma Amorim · janeiro 12, 2016

    Juliana, Adorei esse texto! Descreve a dificuldade diária de viver um amor de verdade! Fotos, são penas registros de um momento… Ah e que se viva sim o amor perfeito no inicio, pra que nos momentos complicados agente tenha condições de parar, respirar fundo, e lembrar o quanto já foi bom, e o quanto será bom novamente! Porque a vida de quem ama não é só os momentos bons das redes sociais… Os momentos bons são penas portos seguros em meio as pontes bambas da vida! O que seria da felicidade sem a tristeza, e o que seria dos casais sem os conflitos… Marcando meu marido, pois me senti mega representada nesse texto! Parabéns pela inspiração.

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    • julianabaron · julho 22, 2016

      Desculpa a demora num retorno!!!! Sou suspeita porque também adoro esse texto e só quem é casado para entender, né? Beijos

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