Sobre o Dia das Mulheres

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Sou apaixonada pelo universo das mulheres. Suas pluralidades e fragilidades. Não à toa, escolhi começar Psicologia para adquirir mais conhecimento para trabalhar com mulheres e escrever sobre mulheres. E lendo, escutando, escrevendo e convivendo com várias mulheres, de várias condições financeiras, sociais, corporais, sexuais, não poderia deixar de vir aqui parabenizar todas elas, todas vocês, por conseguirem existir, criar, brilhar e se destacar, mesmo numa sociedade ainda tão machista, opressora e violenta. Sim, lá vem a diferentona, que entre milhares de postagens com fundos floridos, vai citar temas que incomodam, que nos tiram da zona de conforto, que alguns insistem que não existem mais porque como incomodam, são jogados para debaixo do tapete. Mas não tenho como parabenizar sem deixar a ressalva de que a maioria das mulheres é guerreira porque precisa. Dá conta de tudo porque o marido não participa. A mulher que é cobrada para casar (com um homem, claro), para ter filhos, para trabalhar, para cuidar do lar, para sorrir, para se comportar, para não reclamar, para fechar as pernas, para abaixar a saia e abandonar o decote. Mulher, que tem como hábito, pedir desculpas pelas suas escolhas, quando essas vão de encontro ao que os outros esperam delas. Mulheres que não podem abortar, que não podem abandonar seus filhos e nem o marido que as violenta.
Pensei muito se viria aqui publicar esse meu desejo no dia de hoje, mas espero que ele reverbere entre outras mulheres. Quis vir dar parabéns àquelas que conseguem existir e brilhar, mesmo nessa sociedade que é – silenciosa e sutilmente – desigual e opressora e que relaciona beleza e força à mulheres que se sacrificam por obrigação (nem todas, por favor, não se revoltem, mas a maioria acha bonito porque cresceu absorvendo esse modelo).
Sim, reconheço a grandeza das mulheres, mas acho que ela poderia aparecer sem tantos sacrifícios, sem tantas marcas, sem tantos obstáculos. Poderíamos lutar por uma sociedade melhor, correr atrás dos nossos sonhos, crescer com sofrimentos que são naturais, mas sem precisar, ao mesmo tempo, provar que somos boas, “mesmo” com uma vagina e um útero.

Sou super solidária e admiradora das mulheres fortes que conheço, mas mais do que simplesmente olhar para elas e dizer “parabéns”, seguirei na luta por um mundo melhor para nossas sucessoras. Já conquistamos muito? Com certeza! Mas não sejamos inocentes, ainda temos um longo caminho pela frente.
Sobre a minha realidade, digo que amo ser mãe, que gosto de organizar a casa, de cozinhar, mas não me sinto à vontade quando essas tarefas me são exigidas e não são partilhadas pelos três homens que moram comigo.
Pra não dizer que fico aqui só opinando e nada faço, digo que faço, sim. Já pensando diferente, movimentando a minha própria vida no sentido de mostrar a necessidade de mudarmos a realidade para aqueles que me cercam. E escrevendo sobre isso e estudando sobre empoderamento, sororidade e protagonismo e sonhando com o dia em que trabalharei com grupos de mulheres e revendo minhas próprias convicções e achando que o mundo é muito mais do que a realidade que eu vivo. E o principal, aproveitando minha posição privilegiada para dar voz à essa violência que cala outras mulheres. Se eu souber que ganho menos, reivindico. Se eu achar que estou sendo tratada de forma desigual só porque sou mulher, meto a boca.

E já não tenho mais medo de ser taxada pejorativamente de FEMINISTA, porque feministas deveriam ser todos já que Feminismo, de forma bem simples, é o desejo por mundo em que homens e mulheres sejam tratados de forma igual (ressalvadas suas diferenças), que ninguém é melhor ou mais só por causa do seu gênero e não que mulheres sejam mais que os homens, como alguns insistem em dizer para tirar a força do movimento.
Então, parabéns à todas nós e sigamos para o dia em que duas meninas possam viajar sozinhas no mundo, sem medo de serem mortas, só porque são meninas.

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