Feliz Dia das Mães Possíveis

Feliz Dia das Mães Possíveis

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Eu não poderia iniciar minha colaboração aqui num momento melhor: às vésperas do Dia das Mães. Sempre gostei de escrever e questionar as coisas da vida e desde que me tornei mãe, a maternidade se tornou um dos meus assuntos preferidos.

Mas não pensem que eu vim aqui reproduzir os velhos elogios e exaltações da figura materna. Não vim dizer para você comprar o melhor presente para a sua mãe ou para que você mãe, continue essa guerreira incansável. Não serei mais uma a sobrecarregar as mães com a ideia (falaciosa) de uma super mulher. Eu avisei, sou questionadora e quero aproveitar esse espaço para convidar vocês a pensarem diferente comigo.

É sabido que desde que nós mulheres conquistamos o direito de sair de casa para trabalhar – ou estudar -, como uma forma de nos tornarmos mais livres, nossa jornada se acumulou. Porque as escolhas foram abertas, mas continuamos uma pessoa só. Além de entrarmos no mercado de trabalho, permanecemos responsáveis, na maioria dos casos, pelo cuidado exclusivo da casa e dos filhos. E quando eu questiono esse acúmulo ou a ideia falaciosa de uma super mulher, não pensem que não reconheço o poder e a força das mulheres e das mães, muito pelo contrário, sou uma grande defensora da classe e é justamente por isso, que sempre que posso, trago a discussão à tona. Não como uma forma de nos vitimizar, mas reconhecer uma realidade comum à maioria de nós. Também não acredito que todas as mães se sintam pressionadas, porque sei que existe a possibilidade de gostarmos de cuidar de tudo, mas num modo geral, nosso dia é cansativo, nos desdobramos para dar conta de todas as demandas e somos muito cobradas pela perfeição. Adoecemos, esquecemos de nós mesmas e sacrificamos nossos sonhos em prol da nossa família.

Mas então, o que quero dizer com esse texto? Quis trazer com o termo “mães possíveis”, essa reflexão sobre como santificamos as mães e esquecemos que elas são seres humanos como qualquer outro, com suas limitações físicas e emocionais. Independente se a mulher está naquele papel porque escolheu ou porque foi escolhida por ele.

E para as mães que leem esse texto, quis trazer um abraço solidário, dizer que estamos todas juntas e compartilhar o meu maior exercício como mãe: buscar ser uma mãe possível e não a melhor mãe ou a mãe perfeita. Com tantas demandas acumuladas e cobranças sociais, caímos na armadilha de nos esgotarmos e assumirmos toda e qualquer responsabilidade pela criação dos filhos, quando ela deveria ser dividida com nossos parceiros, por exemplo.

Sobre a culpa, pauta recorrente entre as mães, afirmo que ela sempre existirá em algum grau, porque quando nos percebemos responsáveis pela vida de outra pessoa, tão vulnerável e dependente, é comum que apareça esse sentimento por conta do nosso desejo de fazer aquilo funcionar. O problema da culpa é quando ela nos paralisa ou quando coloca em dúvida as nossas escolhas como mãe. Se a maternidade, como tudo na nossa vida, acontecer de acordo com as nossas escolhas e for construída no princípio de darmos sempre o NOSSO melhor, sobrará pouco espaço para culpas e arrependimentos.

Por isso amanhã, para não dizer sempre, não se preocupe apenas com o presente da sua mãe (ou da mãe dos seus filhos). Exercite olhar para ela como alguém que também se cansa, que tem os seus próprios desejos e que muitas vezes, dá conta de tudo porque não lhe é oferecida ou possibilitada outra alternativa. Como eu sempre brinco, não adianta comprar o melhor presente e deixar a louça na pia ou a roupa suja no chão do banheiro. Não adianta olhar para sua companheira e a parabenizar pelo seu dia ou comprar flores, mas continuar deixando para ela toda a responsabilidade pela criação dos filhos.

E para você que assim como eu, também é mãe e se divide em mil para atender à tudo e à todos (incluindo aqui, cuidados consigo, que são fundamentais), que vive intensamente esse grande paradoxo entre amar e querer sumir, vez ou outra, desejo todos os carinhos e reconhecimentos que lhe serão ofertados, mas mais do que isso, desejo que você tenha garantida a oportunidade de fazer as suas escolhas como mãe e possa exercer com plenitude todos os seus outros papéis.

Por isso hoje, por mim, por todas as mães e por um mundo melhor, eu desejo um Feliz Dia das Mães Possíveis.

Texto publicado originalmente no jornal “Folha do Oeste“.

 

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