Finalmente, 30!

Finalmente, 30.

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Foto tirada pela minha mãe no sábado.

Como desde sempre prefiro conviver com pessoas com mais idade do que eu (nada velhas) – o que só se acentuou quando me tornei mãe aos 23 – ansiava por dizer que tenho 30.
30!
30 para dar razão a toda a bagagem de vida que trago comigo. Uma faculdade, um relacionamento de 7 anos, um filho de 6, uma segunda faculdade e um filho de 1. Um milhão de Julianas e suas versões.

Chego aos 30 com bagagem, mas nenhuma necessidade de me definir. Se um dia busquei construir uma identidade, hoje só tenho a certeza de que não tenho certeza de nada. Ao invés de me cristalizar, só penso em fluir, em me desconstruir e desapegar. Só não desapego da família – a de origem e a que formei. Ah, a minha família. Desde criança, sonhava em formar uma. Na adolescência, dizia que gostaria de fechar os olhos e já estar mais velha, com meu marido e filhos. Hoje fecho os olhos e quando abro, lá estão meus meninos e meu companheiro da vida. Porém, apesar de ter sonhado, nem nos meus melhores sonhos, imaginaria tudo tão perfeito. Não perfeito de perfeito, mas perfeito de acordo com os meus desejos e depois de muitos desafios, abdicações e acertos. E assim, seguimos…na perfeição das nossas imperfeições.

Aos 30, me olho no espelho e gosto do que vejo. Estou longe de ser o que pedem os padrões surreais de beleza e apesar de, vira e mexe, me distrair e tentar segui-los, gosto do meu corpo. Um corpo que já vivenciou uma infinidade de experiências. Dores e amores, saltos e tropeços, quedas e renascimentos. Um corpo que já atuou, já dançou, já amou, já sofreu. Um corpo que vibra e que se deixa tocar por aquilo que vive.

Um corpo que me permitiu ser mãe pela primeira vez. Que amamentou, produziu muito amor líquido, que cuidou, deu muito colo, ninou e carregou um bebê. Um corpo que sempre expressou meus exageros, minhas limitações, que adoece quando insisto em me calar e que não se separa da minha mente, como defendia Descartes. Um corpo que encontra o seu lugar nos braços daquele que me sustenta quando ameaço cair. Um corpo que me permitiu engravidar pela segunda vez, numa única tentativa. Que me possibilitou parir e renascer e amamentar e viver de novo na pele a intensidade da maternidade.

Peitos caídos, barriga positiva, bunda que denuncia minha preguiça e minha gula e joelhos problemáticos. Mas ainda é um corpo, e é o meu corpo. Meu corpo, que me sustenta e me acompanha há 30 anos.

Chego até aqui muito feliz. Conhecedora das minhas fraquezas, do que me tira o sono e me faz chorar. Consciente de que mesmo com todas as minhas inquietações e pendências, sou uma super privilegiada e abençoada. Grata, grata e grata. Apaixonada pelo movimento da vida e forte. Sensível às nuances da vida, mas forte.

Viajei o suficiente, porque meu lugar preferido no mundo é a minha casa. Gosto de estar entre os meus livros, meus papéis e ter um tempo só para mim. Me organizo, escrevendo e sempre foi assim. Tenho um milhão de pastas de textos datilografados, digitados e escritos à mão. Hoje, o bloco de notas do meu celular denuncia como eu preciso escorrer meus dilemas pelas pontas dos meus dedos. Também estou sempre lendo alguma coisa e em constante reflexão sobre as pessoas, a vida e meus posicionamentos diante dela.

Tenho poucas amigas, mas sempre sou muito entregue às minhas amizades. Acredito que a vida é aquilo que acontece durante os bons encontros.

Aprendi a escolher e aprendi a esperar. Entendi que minhas atitudes são políticas e a cada dia, procuro ser mais coerente com as minhas novas, e sempre revisitadas, ideologias.

Não pensei o que desejo daqui para frente, só tenho certeza de que não tenho grandes ambições materiais. Aliás, hoje meu maior exercício é selecionar o que me é essencial e adequar o meu exterior com o que pede o meu interior. Se é que existem exterior e interior, porque hoje acredito num fluxo constante entre o fora e o dentro, o dentro e o fora. Com 30, e não com 17 como foi da primeira vez, tenho cada vez mais certeza do caminho profissional que estou trilhando. Conhecendo sobre as pessoas, sobre nossas relações, sistemas e sobre mim.Encontrei meu lugar compartilhando uma parte da minha vida com outras pessoas e esse é um dos meus grandes combustíveis, atualmente.

Sigo apaixonada pelas minhas escolhas, pela minha família e por mim. Comprando mais livros do que irei ler, implicando com o meu culote, aprimorando meu feminismo, morrendo de calor e vestindo um pretinho básico.

Sem querer soar clichê, mas não gostaria de voltar no tempo.

Assumo meus infinitos cabelos brancos, minhas estrias e minhas poucas rugas, porque elas refletem aquilo que a soma dos anos me trouxeram de mais importante: maturidade, sabedoria e vivências.

30 anos!
30 voltas ao sol.
30 invernos.
30 mil motivos para estar muito feliz por chegar aqui.

E que venham mais 30!

(Achei que não encontraria tempo e inspiração para esse texto por conta das atuais demandas, mas ontem à noite sentei na cama e escrevi tudo no bloco de notas do celular. Que bom!).

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2 comentários

  1. Juliana · julho 18, 2016

    Ju emocionante ler este texto. Confesso que eu estava ansiosa para ler. Quando completei 30, fiquei meio em crise por ter chegado aos 30, depois passou. A crise durou acho que uns 4 dias! Ahahaha
    Hoje com 36, leio seu texto e faço uma reflexão sobre tudo o que já vivi em 36 anos. Mãe aos 19, casada há 18 anos, professora e uma família maravilhosa!
    Bjs

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    • julianabaron · julho 22, 2016

      Juliana, parabéns pela sua história. Entendo os 30 como uma espécie de limite entre uma vida que antes era um pouco adulta, para uma vida mais adulta…hahaha. E ao mesmo tempo, temos maturidade, sem tantas rugas…hahaha. Sigamos…Beijos

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