E viva a crise!

E viva a crise


img_5030

            Uma das palavras que mais escutamos nos últimos tempos é crise!

Crise política, crise econômica, crise ambiental, crise na segurança pública. Também escuto muito sobre crise de identidade, crise no casamento…sempre num sentido negativo, mas você sabia que o termo crise também carrega consigo um significado positivo? Aprendi num curso, que krisis, que vem do grego, quer dizer decisão, sentença, juízo, separação, ou seja, um momento de transição e mudança.

Confesso que eu sou suspeita para falar sobre esse assunto porque acredito, de verdade, no potencial que existe nos momentos de catarse. Num determinado ponto da minha vida, percebi que focamos tanto em buscar um equilíbrio, quando são os desequilíbrios, os momentos de crises e interrupções que nos movimentam.

Você já observou como a maioria das obras – filmes, livros, sagas, letras de música – envolve algum momento de sofrimento que impulsionou a sua criação? Pelos mais variados motivos, insatisfações, inquietações, somos retirados da zona de conforto e nos vemos obrigados a ir em busca de alguma mudança. Momentos de quietude e calmaria também são necessários, porém, quando estamos extremamente equilibrados, acomodados, tendemos a ficar por ali mesmo.

Claro que, como nem sempre o início desse processo de transformação é voluntário, perceber-se adentrando um campo desconhecido e não saber o que acontecerá depois da ruptura, pode gerar certa angústia. Mas acredito ser possível respeitarmos também o que não vai bem. Isso não significa procurar sempre ver o lado bom das coisas, ou sorrir diante de uma situação absurda ou aturar algo insuportável, mas em tão somente respeitar e aceitar e diante desses momentos de crise e catarse, que estão postos e na maioria das vezes, são inevitáveis, refletir e pensar em como podemos sair dali. Jamais se acomodar, estagnar-se ou se submeter.

É como um ciclo, que nos dá a ideia de um eterno movimento. O que não vai bem também faz com que a vida tenha sentido. É aquela luz vermelha que às vezes se acende no painel da nossa Kombi que nos faz levarmos ela para a oficina. É uma pedra no caminho que nos derruba enquanto andávamos distraídos, que nos faz ficarmos mais alertas. É perdendo alguma coisa, que muitas vezes, aprendemos a dar valor para ela. O que às vezes parece algo de uma exclusiva conotação negativa, muitas vezes é o que nos faz iniciarmos um processo de movimento.

O que às vezes parece ser o fim pode na verdade se mostrar um começo.

Não, não penso que a vida precise ser difícil o tempo todo ou que só possamos aprender com o sofrimento. Apesar de enxergar muita beleza nessas quebras e rupturas, sei que não pe fácil e leve viver esses períodos, mas de verdade, consigo visualizar a importância dos desequilíbrios e das crises que nos acometem, vez ou outra.

Assim, hoje quero convidar você para aproveitar a sua possível crise atual para repensar o que pode nascer desse momento que separa o que foi do que está por vir. O que pode surgir do que a princípio pode parecer uma grande confusão, mas que na verdade, é uma oportunidade de criar, de inovar e de enxergar diferente.

Apesar dos pesares, respire fundo e tenha sempre em mente que depois da crise, você precisa fazer nascer o sol.

Texto publicado, originalmente, no jornal Folha do Oeste em 12/11/16.

Anúncios

O que você fez com o seu ano?

O que você fez com o seu ano?

o-feitico-do-tempo-html

Estamos a cada dia mais próximos do final do ano e, tenho certeza, que logo começarão as lamentações sobre como ele passou voando.

Mas será, será que ele passou voando ou estávamos distraídos demais para notar o seu andar?

Assisti uma palestra algum tempo atrás, aonde escutei que a todos nós, são dadas 24 horas todos os dias e cabe a cada um, utiliza-las da forma como desejar. A partir dessa escuta, passei a me perguntar: o que eu faço com as minhas e com todas as possibilidades que me são oferecidas? Como aproveito meus minutos, horas e dias? Resolvi, então, estender esse questionamento ao ano porque ele também passa igual para todos. Porém, enquanto alguns preenchem os 365 dias que lhes são dados, com novas amizades, mudanças, desafios, viagens, livros e pessoas, durante o mesmo punhado de semanas e meses, outros continuam, exatamente, no lugar de onde partiram! Não se desafiam, mergulham alienados e inertes numa rotina monótona, adiam mudanças e encontram milhares de desculpas para continuarem os mesmos.

Portanto, todos tiveram 365 dias a partir do primeiro dia de janeiro passado, e o que diferenciou as pessoas durante esse período, foi o que cada uma fez com aquilo que lhe foi dado.

Confesso que não entendo quem vive reclamando quando dezembro se aproxima, como se alguém houvesse lhe roubado os dias. Talvez seja por hábito ou por parecer importante você se mostrar ocupado ao dizer que o tempo passou voando, mas pense, o que você estava fazendo de tão automático que nem percebeu o relógio correr? Ou por que você atribui ao tempo a responsabilidade pelo modo como tratou o seu passar?

Eu, ao contrário de muitas pessoas, não acho que o tempo passou voando porque reconheço e respeito TUDO o que me aconteceu nesse ano que vem chegando ao fim. Olhando para trás, consigo enumerar milhares de experiências importantes que vivi nos últimos meses. Concluí duas fases do curso de Psicologia, participei de outros cursos, vi meus filhos crescerem, meu bebê aprender a andar e falar, viajei para o exterior… Mas nem só de grandes eventos, um ano é feito. Nesses meses, também mudei de ideias, me frustrei, me desconstruí e aprendi lições importantes. Claro que vivi dias e semanas que voaram no meio da rotina que me engoliu, mas não vou focar ou resumir a minha vida, naquilo que me faltou ou naquilo que não teve tanta relevância.

E você? Consegue listar tudo o que fez e o que aconteceu na sua vida em 2016? Será que mesmo depois de fazer essa lista, você vai continuar dizendo que o tempo passou rápido demais?

Assim, deixo esse texto como um convite à reflexão sobre o que você estava fazendo enquanto o relógio andava com os seus ponteiros ou um convite para que você olhe para trás como uma forma de reconhecer tudo o que você fez nesses últimos meses, ao invés de ficar por aí resmungando sobre a passagem do tempo.

Lembre-se que esse compositor de destinos, tambor de todos os ritmos, como já diria Caetano, estará para sempre presente na nossa vida, então, que não sejamos controlados ou escravos dele. Que o controlemos, no sentido de saber como bem utilizá-lo.

Ah, e você ainda tem uns dias antes de 2016 chegar ao fim.

Faça bom proveito!

Texto publicado, originalmente, no jornal Folha do Oeste no dia 08/10/16.