E viva a crise!

E viva a crise


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            Uma das palavras que mais escutamos nos últimos tempos é crise!

Crise política, crise econômica, crise ambiental, crise na segurança pública. Também escuto muito sobre crise de identidade, crise no casamento…sempre num sentido negativo, mas você sabia que o termo crise também carrega consigo um significado positivo? Aprendi num curso, que krisis, que vem do grego, quer dizer decisão, sentença, juízo, separação, ou seja, um momento de transição e mudança.

Confesso que eu sou suspeita para falar sobre esse assunto porque acredito, de verdade, no potencial que existe nos momentos de catarse. Num determinado ponto da minha vida, percebi que focamos tanto em buscar um equilíbrio, quando são os desequilíbrios, os momentos de crises e interrupções que nos movimentam.

Você já observou como a maioria das obras – filmes, livros, sagas, letras de música – envolve algum momento de sofrimento que impulsionou a sua criação? Pelos mais variados motivos, insatisfações, inquietações, somos retirados da zona de conforto e nos vemos obrigados a ir em busca de alguma mudança. Momentos de quietude e calmaria também são necessários, porém, quando estamos extremamente equilibrados, acomodados, tendemos a ficar por ali mesmo.

Claro que, como nem sempre o início desse processo de transformação é voluntário, perceber-se adentrando um campo desconhecido e não saber o que acontecerá depois da ruptura, pode gerar certa angústia. Mas acredito ser possível respeitarmos também o que não vai bem. Isso não significa procurar sempre ver o lado bom das coisas, ou sorrir diante de uma situação absurda ou aturar algo insuportável, mas em tão somente respeitar e aceitar e diante desses momentos de crise e catarse, que estão postos e na maioria das vezes, são inevitáveis, refletir e pensar em como podemos sair dali. Jamais se acomodar, estagnar-se ou se submeter.

É como um ciclo, que nos dá a ideia de um eterno movimento. O que não vai bem também faz com que a vida tenha sentido. É aquela luz vermelha que às vezes se acende no painel da nossa Kombi que nos faz levarmos ela para a oficina. É uma pedra no caminho que nos derruba enquanto andávamos distraídos, que nos faz ficarmos mais alertas. É perdendo alguma coisa, que muitas vezes, aprendemos a dar valor para ela. O que às vezes parece algo de uma exclusiva conotação negativa, muitas vezes é o que nos faz iniciarmos um processo de movimento.

O que às vezes parece ser o fim pode na verdade se mostrar um começo.

Não, não penso que a vida precise ser difícil o tempo todo ou que só possamos aprender com o sofrimento. Apesar de enxergar muita beleza nessas quebras e rupturas, sei que não pe fácil e leve viver esses períodos, mas de verdade, consigo visualizar a importância dos desequilíbrios e das crises que nos acometem, vez ou outra.

Assim, hoje quero convidar você para aproveitar a sua possível crise atual para repensar o que pode nascer desse momento que separa o que foi do que está por vir. O que pode surgir do que a princípio pode parecer uma grande confusão, mas que na verdade, é uma oportunidade de criar, de inovar e de enxergar diferente.

Apesar dos pesares, respire fundo e tenha sempre em mente que depois da crise, você precisa fazer nascer o sol.

Texto publicado, originalmente, no jornal Folha do Oeste em 12/11/16.

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