Novos hábitos para novos começos

Novos hábitos para novos começos

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2017 começou e o que eu mais vi pela internet, foram expectativas para que ele seja melhor do que foi 2016. Sem querer ser mensageira de más notícias ou uma ducha de água fria nas expectativas alheias, mas sinto informar que 2017 será exatamente como o ano que acabou, caso VOCÊ continue o mesmo.

Claro que existe um ar de novidade na chegada de um novo ano. Parece que ficamos um pouco mais motivados com a possibilidade de começar de novo, de colocar nossas metas em prática, mas toda essa motivação, se não for renovada e estimulada ao longo do ano, logo desaparece e voltamos a esperar que no próximo ano, algo se transforme.

Eu, em todo mês de janeiro, coloco-me a refletir sobre o que pretendo melhorar ao longo do meu ano. Minha primeira ação prática acontece ainda no final do ano anterior. Sempre separo uma semana para organizar todos os armários da minha casa, como uma forma de, física e emocionalmente, deixar espaço livre para que o novo possa aparecer. Tiro tudo, separo o que quero que fique e o que posso passar adiante, por que como podemos esperar pelo novo se não damos espaço para ele?

E isso também pode ser feito com as estruturas que nos sustentam. Não concordo com teorias que dizem que dá para recomeçarmos do zero. Desde que nascemos vamos enchendo nossa bagagem e não dá para simplesmente largarmos ela e adquirirmos uma nova. O que podemos fazer é olhar para “dentro” na busca de nos desfazermos daquilo que não precisamos mais. Isso inclui hábitos, convicções, atividades e relações que não fazem mais sentido.

Desde que aprendi numa aula de Antropologia no começo da faculdade de Psicologia que, às vezes, devemos estranhar o familiar e nos familiarizarmos com o estranho, procuro fazer esse exercício com certa frequência. Quais são meus hábitos? Quais os aspectos da minha vida que passam despercebidos porque já me são familiares? Também na faculdade, aprendi sobre o problema de naturalizarmos o psicológico, como se já nascêssemos com todas as nossas características. Ideia essa que, portanto, as torna imutáveis. Não, somos uma construção! Somos produtos e produtores do meio e se podemos aprender, podemos desaprender e aprender diferente.

Gosto muito de uma fala da Eliane Brum, que diz que “é preciso ser capaz de olhar para nós mesmos com estranhamento para que possamos enxergar possibilidades que um olhar viciado tornaria invisíveis. Esse é o processo de se desconhecer como uma forma mais profunda de se conhecer. Para novamente se desconhecer, e assim por diante. Exige muita coragem. Porque dá um medo danado“.

Assim, quem sabe o exercício de se estranhar não seja o que está lhe faltando para, de verdade, viver um novo ano. Estranhar-se, perceber-se como um quebra-cabeça que foi se montando ao longo da sua existência. Quais peças já não lhe servem mais? Quais precisam sair dali porque não foi você quem as colocou? Quais espaços precisam ficar livres para que você possa seguir um novo caminho?

Eu precisei me desconstruir e deixar espaços livres para que o novo pudesse chegar até mim. Como disse, não acredito que possamos “recomeçar do zero”. Isso é utopia, já que carregaremos toda a nossa bagagem de vida para onde formos. Nossos erros, nossas conquistas e as lições advindas deles, mas acredito que sim, é possível recomeçar.

Desde que deixemos espaço para tanto.

E desde que pratiquemos novos hábitos, para novos começos!

Texto originalmente publicado no Jornal Folha do Oeste no dia 14/01/17.

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