Está tudo certo

Está tudo certo

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Como a vida, às vezes, tem das suas sincronicidades. Estou há meses para escrever aqui na coluna sobre essa espécie de mantra que procuro utilizar na minha vida e decidi que o faria nesse mês de fevereiro. Pois não é que eu finalizo esse texto, algumas horas depois de me despedir, por conta do seu passamento, da pessoa com quem eu aprendi esse mantra?

A filósofa Dulce Magalhães, com quem eu tive a honra de partilhar alguns momentos e com quem eu muito aprendi, tanto nos cursos, como nos bons encontros, sempre levava consigo a máxima de que “Está tudo certo. Não tem nada errado”. E desde o dia em que ouvi essa frase, procuro repeti-la para mim mesma, diante de dificuldades e desafios que possam surgir no meu caminho.

Aceitar o que se apresenta, sem lutar contra o que está posto é uma espécie de exercício para a vida. Não significa se acomodar, resignar-se ou se conformar, mas acalmar o coração diante do inesperado e confiar, que seria o oposto de controlar. Com o coração em paz, e não resistindo àquilo que não esperávamos, conseguimos pensar, caso seja possível e necessário, numa forma de lidar com o que se apresentou e seguir.

Sempre que penso que “Está tudo certo”, lembro-me de ser como a água que corre no fluxo do rio. Diante das pedras e curvas, a água não fica questionando, resistindo ou tentando, em vão, remover os obstáculos. Como não tem controle sobre o que encontrará no seu caminho, a água simplesmente flui. Aliás, fluir, é outro termo que sempre foi muito usado pela Dulce nos seus textos e ensinamentos: “Precisamos aprender a navegar na tranquilidade e sermos capazes de lidar com as dificuldades com maior aceitação, ao invés de brigar com o inevitável. Flua”.

Claro que nem sempre conseguimos lembrar ou aceitar que “Está tudo certo”. Por vezes, os desafios são mesmo, desculpem a redundância, excessivamente desafiadores. A vida em curso, nos coloca diante de encruzilhadas, decisões difíceis, arrependimentos. Vivenciamos perdas, dores, angústias e aceita-las, como parte da jornada, em alguns momentos, pode parecer impossível. Durante a despedida da Dulce, por exemplo, que partiu de forma tão repentina e inexplicável, não foi fácil aceitar que estava tudo certo, mas brigar com o destino ou com o que se apresentou, vai ajudar em alguma coisa ou mudar a situação?

Assim, como forma de homenageá-la e compartilhar com mais pessoas esse exercício, ou tarefa da consciência, como ela dizia, venho te dizer que “Está tudo certo. Não tem nada errado”.

Também aconteceu outra sincronicidade enquanto eu escrevia esse texto. Resolvi ouvir novamente um áudio antigo no meu celular, que foi gravado durante uma sessão aonde a Dulce fez a leitura da mandala que ela desenhou para mim. Ao final, quando ela me pergunta se tem mais alguma coisa que eu queira saber, eu digo rindo: “E no final, vai dar tudo certo?”. Ela, com toda sua sabedoria e frases proféticas, responde: “Vai. Talvez não do jeito que você desejou, mas vai dar tudo certo”.

Portanto, meus queridos, que era outra fala recorrente dela, “Está tudo certo”.

Diante das adversidades da vida, não batam a cabeça nas pedras. Lembrem de ser como a água.

Respirem e fluam.

Publicado originalmente no Jornal Folha do Oeste em 11 de fevereiro de 2017.

 

 

 

 

 

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