| A tristeza nos aproxima de nós |

A tristeza nos aproxima de nós

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Peguei a montagem de um post antigo porque ela me remete à essas várias Julianas.

Quando estamos num processo de psicoterapia, ou melhor, quando nos permitimos um mínimo de mergulho quando estamos vivendo esse processo, começamos a resgatar algumas lembranças de partes nossas que mesmo esquecidas de forma consciente, nos tornaram quem somos hoje.

O ano era 1999 e eu estava andando na rua perto da minha casa, voltando de alguma atividade extra da escola. A trilha sonora que tocava no meu discman era do CD da novela “Andando nas nuvens” e a música que eu não tirava do repeat, era True Colors, na voz do Phil Collins (as outras preferidas, eram “She´s All I ever had” do Ricky Martin e “Dust in the Wind” da Sarah Brightman).

Não lembro exatamente o porquê, mas lembro que estava vivendo um momento de extrema angústia (comum para os meus 13 anos). Dúvidas, incertezas e certa tristeza. Nesse caminho, cruzei com uma igreja (ecumênica) e resolvi entrar para me esconder um pouco e poder chorar em paz, literalmente. É essa lembrança que essa versão da música sempre me traz. Eu sentada na igreja com o discman no ouvido, chorando e colocando para fora aquilo que tanto me doía.

Mas por que tenho lembrado disso? Um pouco porque dia desses, ao ouvir essa música, parei para escutar a letra e percebi que ela tem tudo a ver com aquele momento (e com muitas das minhas principais questões da vida). E também porque desde que li no livro “Que ninguém nos ouça”, a frase “A tristeza nos aproxima de nós”, tenho pensado nisso. O que se acentuou com meu atual processo de psicoterapia e esse resgate das Julianas que fui. Pode não parecer pra quem me conhece hoje, mas já fui uma pessoa MUITO triste. Até já constelei a minha tristeza. Na representação de uma pessoa, a abracei, conversei com ela e me despedi. Hoje ainda a sinto em alguns momentos e confesso que quando ela aparece, me vem até a sensação de um conforto pela lembrança de todo o tempo em que ela foi minha companheira, mas já não é algo que me leva à total escuridão.

Já estava para escrever sobre isso, mas o faço hoje porque ontem numa reunião lá em casa, me perguntaram como cheguei à algumas conclusões e desconstruções na minha vida e eu acho que muito foi por toda a tristeza que já senti e que não tinha vergonha de colocar para fora. A tristeza me fez passar muito tempo sozinha, ela me aproximou de mim, de verdade. Ela me fez conversar com muitas pessoas e ser acolhida por elas. É tão engraçado que sempre que eu me sentia triste, me imaginava num grande colo. A tristeza me possibilitava abrir espaços para ser cuidada, numa época em que eu me sentia responsável por cuidar dos outros. A tristeza também me fez buscar ajuda e desde adolescente, fazer psicoterapia e viver processos de autoconhecimento. Talvez se eu tivesse sido alguém predominantemente feliz, não tivesse chegado aqui com quase 15 anos de psicoterapia, vários cursos nesse sentido, leituras, conversas, trocas com pessoas excepcionais, uma escrita afiada e “esvaziadora” e experiências das mais variadas, mas todas relacionadas à processos de autoconhecimento. Claro que ainda tenho uma vida inteira de descobertas pela frente, mas eu sei que já vivi muito, olhando pra “dentro”, e já esmiucei muito todas minhas formas de existência.

Assim, hoje dedico minha gratidão à tristeza que me acompanhou desde muito cedo, o que me fez ressignifica-la também muito cedo, e me aproximar de mim. Eu, com meus “sad eyes”, como diz a música, precisei “take courage” para sozinha, “see my true colors shining through like a rainbow”!

 

 

 

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